Quando se fala em tipos de mordida, a conversa vai além da estética do sorriso: a mordida é o encaixe entre as arcadas, o mecanismo que distribui a força da mastigação. Um desencaixe (a má oclusão, no termo técnico) sobrecarrega dentes, músculos e articulação, e muitas vezes passa anos sem diagnóstico porque "os dentes até parecem retos".
Neste artigo, a gente explica os três desencaixes mais comuns (mordida cruzada, aberta e profunda), os sinais de cada um, as causas e como o tratamento muda conforme a idade.
O que é uma mordida normal?
Na oclusão equilibrada, os dentes superiores cobrem discretamente os inferiores (na frente e nos lados) e os dentes de trás se encaixam como engrenagens, cada um recebendo sua parte da força. Fechando a boca devagar no espelho, você deve ver os dentes da frente superiores à frente dos inferiores, cobrindo cerca de um terço deles.
Mordida cruzada: o encaixe invertido.
Na mordida cruzada, um ou mais dentes inferiores fecham por fora dos superiores: o contrário do esperado. Ela pode ser anterior (na frente) ou posterior (nos lados), de um lado só ou dos dois.
Sinais e consequências: desgaste irregular dos dentes cruzados, mastigação preferencial de um lado e, nas crianças, um risco silencioso: a cruzada unilateral pode desviar o crescimento da mandíbula, criando assimetria facial que se consolida com os anos. É o tipo de mordida em que a intervenção precoce mais compensa: na infância, aparelhos expansores corrigem em meses o que no adulto pode exigir tratamentos bem mais complexos.
Mordida aberta: o espaço que não fecha.
Na mordida aberta, os dentes da frente não se tocam quando os de trás fecham: fica uma janela vertical entre as arcadas. As causas mais comuns na infância são os hábitos de sucção prolongados: chupeta e dedo depois dos três anos, além da interposição de língua na fala e na deglutição.
Sinais e consequências: dificuldade para cortar alimentos com os dentes da frente, alterações de fala (o "s" e o "z" escapam), respiração bucal associada e sobrecarga dos dentes de trás, que passam a receber toda a força. O tratamento combina ortodontia com a remoção da causa: sem tratar o hábito, a recidiva é regra. Em adultos, casos esqueléticos podem envolver planejamento com cirurgia.
Mordida profunda: a cobertura exagerada.
Na mordida profunda (sobremordida), os dentes superiores cobrem demais os inferiores: em casos extremos, os inferiores tocam a gengiva do céu da boca. É o desencaixe que mais machuca em silêncio.
Sinais e consequências: desgaste acelerado da face interna dos superiores e da ponta dos inferiores, trauma na gengiva do palato, dores musculares e maior tendência a apertamento. A correção devolve espaço vertical e protege os dentes de décadas de atrito, e costuma integrar o planejamento de quem vai reabilitar desgastes com restaurações, tema do nosso artigo sobre restaurações estéticas.
De onde vêm as más oclusões?
- Genética: tamanho de maxila e mandíbula que não conversam: a herança mais comum.
- Hábitos de infância: chupeta, dedo, mamadeira prolongada, interposição de língua.
- Respiração bucal: muda postura de língua e lábios e molda o crescimento facial.
- Perdas dentárias não repostas: dentes migram para o espaço vazio e desarrumam o encaixe.
A respiração bucal merece destaque entre as causas: a criança que respira pela boca dorme mal, mantém a língua baixa e os lábios abertos, e essa postura, repetida por anos, estreita o palato e favorece mordidas cruzadas e abertas. Ronco infantil, olheiras e sono agitado são sinais que valem investigação conjunta com pediatra e otorrino, além do olhar ortodôntico.
Tratamento: cada idade, uma estratégia.
Nas crianças, a ortodontia intercepta: expansores, controle de hábitos e aparelhos que orientam o crescimento: janelas de oportunidade que não voltam. Nos adolescentes e adultos, o aparelho corrige o posicionamento dentário; casos esqueléticos maduros podem pedir a combinação com cirurgia ortognática. A escolha entre aparelho fixo e alinhadores depende do tipo e da magnitude do movimento: mordidas complexas ainda são território onde o fixo brilha.
Em todas as idades, o ponto de partida é o mesmo: documentação ortodôntica completa, com radiografias e análise facial. Mordida se diagnostica com medida, não com espelho.
Por fim, o bruxismo e a mordida também conversam: encaixes desequilibrados concentram força em poucos dentes, e quem aperta os dentes multiplica esse dano. Se você tem sinais dos dois (desgaste localizado e mandíbula cansada ao acordar), avaliar mordida e apertamento na mesma consulta economiza caminho.
Perguntas rápidas sobre mordida.
Minha mordida errada nunca doeu: preciso tratar? Dor tardia é típica das más oclusões: o desgaste é lento e silencioso. A avaliação diz se o seu caso pede correção ou só acompanhamento.
Criança com mordida cruzada: esperar crescer? Não: é exatamente o caso em que esperar piora. Avaliação ortodôntica a partir dos seis anos é a recomendação padrão.
Aparelho corrige mordida ou só alinha? As duas coisas, e corrigir o encaixe é, na verdade, a parte mais importante do tratamento.
Ficou em dúvida sobre o seu encaixe ou o do seu filho? As unidades da Cavaletti em Maringá, Goioerê e Cafelândia fazem a documentação completa e explicam o diagnóstico sem pressa.
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